O ex ainda dói.
Fim de namoro foi
feito pra doer. E dói tanto porque é uma perda instantânea de alguém (mais importante do mundo)
que de uma hora pra outra passa a pertencer a um outro tempo. Se ruptura é violenta,
cheia de ferimentos, dói pelo machucado. Pelas mágoas que se causaram. Se a
ruptura é branda, pelo desgaste, dói pela falta de motivos, pela vida que se
evanesceu, pela ausência que foi ocupando os espaços da casa... Sem mais domingo no parque, sem mais
discussões entusiasmadas sobre as canções do Roberto. Reinventa-se os amigos,
se reorganiza a lista de contatos (afinal muito se perde do mundo que se criou durante a relação amorosa).
Vira ex e vai se apagando da agenda. De repente a pessoa mais próxima da vida
passa a ser querida distante. Um mero estranho que não sabe mais quais são seus
planos pro próximo feriado. E enxergar alguém, antes tão rente, agora tão
longe é extremamente doloroso. Fim de namoro dói. E dói muito. Dói o vazio das
palavras, o desespero de se querer voltar à zona de conforto, dói o medo de ter
feito a escolha errada, dói a sensação de fracasso. Dói a falta de conclusão,
que sempre retorna em um sábado a noite (também conhecida como carência). Dói pra caramba, dói como parte de um processo. Até que um dia se cura e para de existir como dor, e vira algo parecido com nada ou com uma lembrança alegre e um sorriso leve no canto da boca.
***
"Amor, então também, acaba? Não, que eu saiba.
O que eu sei é que se transforma numa matéria-prima
que a vida se encarrega de transformar em raiva. Ou em rima."
(P.Leminski)
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