Prazer, eu sou Hannah Horvath.
Sempre
tive uma identificação com personagens femininos desajustados. Houve um tempo
que me achava parecida com a Camila da Clarah Averbuck, outros tempos com a
Alice do Karim Ainouz, agora poderia ser Hannah da Lena
Dunham. Uma vez ouvi que quanto mais particular é algo, mais universal ele é.
Talvez seja isso. Figuras femininas muito próximas de suas autoras podem se
parecer com quase todas as mulheres. Hannah, como eu, um dia recebeu um
ultimato da vida: se vira! E a partir
disso passou a tentar sobreviver como uma
(ex) menina mimada em mundo bem confuso. Com pouca grana, fora dos padrões
estéticos, com um namorado estranho (desculpe querido!) e tentando
sobreviver ao caos de uma adolescência tardia pressionada por uma fase adulta
que cobra seu pago. Egoísta, preguiçosa e arrogante, Hannah é a (anti) heroína tão verdadeira que às
vezes se torna surreal. Apesar de uma
personagem norte americana, branca e de classe média (o que se difere em muito
de quem eu sou e onde estou), há muito de mim. Não que as outras não tivessem.
A Camila era (é?) uma alter ego de
sua autora. Uma jovem escritora perdida nos favores da cidade de São Paulo, metendo
os pés pelas mãos por vezes, e tentando lidar com suas emoções, sua sexualidade
e sua apatia. Alice chegava do interior do Brasil para viver em uma metrópole
pulsante, que arrancava-lhe a pele e mostrava as nuanças de sua personalidade
até então desconhecida por ela. Hannah vive em Nova York, mas assim como a
Camila e Alice, ela se mete nos apuros da sua própria insegurança e nas suas
investidas por se centrar no mundo adulto. Eu também. Tento afogar a insegurança e aguçar
a responsabilidade. Refazer do erro construção. Mas nem sempre dá, e é em meio
a vivencia de retrocessos e progressos que vou marcando meus pontos. Sendo
Camila, Hannah, Alice. Não sendo nenhuma delas.
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