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Mostrando postagens de maio, 2013

Prazer, eu sou Hannah Horvath.

Sempre tive uma identificação com personagens femininos desajustados. Houve um tempo que me achava parecida com a Camila da Clarah Averbuck, outros tempos com a Alice do Karim Ainouz , agora poderia ser Hannah da Lena Dunham. Uma vez ouvi que quanto mais particular é algo, mais universal ele é. Talvez seja isso. Figuras femininas muito próximas de suas autoras podem se parecer com quase todas as mulheres. Hannah, como eu, um dia recebeu um ultimato da vida: se vira! E a partir disso  passou a tentar sobreviver como uma (ex) menina mimada em mundo bem confuso. Com pouca grana, fora dos padrões estéticos, com um namorado estranho (desculpe querido!) e tentando sobreviver ao caos de uma adolescência tardia pressionada por uma fase adulta que cobra seu pago. Egoísta, preguiçosa e arrogante,  Hannah é a (anti) heroína tão verdadeira que às vezes se torna surreal.  Apesar de uma personagem norte americana, branca e de classe média (o que se difere em muito de quem eu sou ...

O beijo da morte, o beijo no asfalto.

Os fones brancos no ouvido não podiam distrair-me de uma ânsia acelerada, de toda angustia da mudez imposta. Caminhei apressada pelas calçadas retilíneas, disfarçando nas mãos cambiantes o desespero para o qual me preparava. Era um medo já antigo, ignorado a todo custo. Sufocado entre as coisas empilhadas por ai.  Uma mancha inesperada pelo corpo era susto abafado que ia se espalhando por várias semanas. Não queria saber, mas não saber era morrer todo dia. Reuni toda coragem, em um pequeno artigo que falava de cura. Precisava saber. Não contei para ninguém, guardei apenas para mim. Porque pelo susto alheio eu percebia que a AIDS era um lugar solitário e silencioso que ninguém queria ir.  Era a morte, a punição prevista, o salário do pecado nos olhos inquisidores do outro. Temi pelo preconceito. Pelo meu namorado, pelos meus familiares. Temi acima de tudo por mim, pela explicitação de uma finitude sempre tão ignorada. Meu corpo, este que foi sempre pensado como um espaço de ...