04 de Fevereiro
É meu quinto dia em Granada e já foi o suficiente para me acostumar com o frio, com a solidão e com o cheiro e gosto de peixe em tudo. Mas não foi possível me adaptar a saudade. Esta, como diz DaMatta, é filha do amor e da ausência, e só pode sentida em Português. E como quase tudo em Português a saudade dói deliciosa, num contraditório e inexorável processo de alagamento, onde se enche e se esvazia ao mesmo tempo. Em um continuo sentimento de perda e de presença. Estou alagada desse prazer torturante que é a saudade. Dessa agonia que a abstinência do ser amado traz. Desse acalento de tê-lo na outra ponta do Atlântico - "Para que fosse vosso, ó mar..." . Valeu a pena! Pois é só cruzando os mares de si que se descobre os novos mundos... Fevereiro de 2014