Postagens

Mostrando postagens de junho, 2014

04 de Fevereiro

É meu quinto dia em Granada e já foi o suficiente para me acostumar com o frio, com a solidão e com o cheiro e gosto de peixe em tudo. Mas não foi possível me adaptar a saudade. Esta, como diz DaMatta, é filha do amor e da ausência, e  só  pode sentida em Português. E como quase tudo em Português a saudade dói deliciosa, num contraditório e inexorável processo de alagamento, onde se enche e se esvazia ao mesmo tempo. Em um continuo sentimento de perda e de presença. Estou alagada desse prazer torturante que é a saudade. Dessa agonia que a abstinência do ser amado traz. Desse acalento de tê-lo na outra ponta do Atlântico -  "Para que fosse vosso, ó mar..." . Valeu a pena! Pois é só cruzando os mares de si que se descobre os novos mundos... Fevereiro de 2014

Daquelas coisas de Adeus (ou adíos)

Em exatamente um mês estarei na cidade do céu mais bonito e azul (do mundo?), comendo feijão e revendo quem eu amo. Mas ainda assim ir embora daqui me dá uma nostalgia, uma saudade prévia, porque estou deixando pra trás um povo hospitaleiro, de voz alta e sorriso aberto. Deixando a mistura de línguas e credos que iluminam a Calle Elvira nas rotas de volta para casa e os ornamentos (tão primorosos) dos velhos prédios da Gran Via; a silhueta da Serra Nevada emoldurando ao longe toda paisagem e as subidas disformes do Realejo, que faz pequenos labirintos de pedra e cal. Ai dá uma vontade de ficar misturada com um desejo enorme de ir embora. De ouvir Português, de encontrar os amigos, de submergir meus sentidos em tudo que é Brasileiro. E é uma espécie de alegria misturada com tristeza, que deixa tudo mais bonito. Que aguça o olhar na despedida e no reencontro.  Saudade e Echar de Menos se conectam nos vocábulos das velhas línguas ibéricas e me inundam o corpo, numa doçura caótica, de...