Um sabor de vidro e corte...
Hoje escutei a música do Milton
que você tirou no violão. Chorei. Pela música, por nós, por perder. Por saber
que não podemos regredir os avanços da vida. Estou te deixando. Escolhi com
angústia, mas também com muita fome. Estou te deixando. Mas não deixando pra
trás a vida que guardamos, onde seu corpo era mais que escudo, era continuidade
do meu. Estou deixando o tédio que corrompeu tudo que havia de bonito. O medo
de ser fala. As noites frias de Maio. Estou deixando o espaço vazio que a sua
presença transbordava. O gelo que se formava nas minhas cordilheiras. Estou
indo embora de você, mas deixando a saudade ser minha companheira. Por que o fim é a parte fundamental do começo, no ciclo infinito, que por tolice, tantas vezes deixamos de acreditar.
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