Postagens

Mostrando postagens de agosto, 2013

Estômago

Com você eu desejei uma vida inteira e nova, mas minha memória é insistente. E tudo perde o ar de novidade lá pela quarta vez. Fico com o pé atrás, talvez com o corpo todo. Me ensinaram dessas coisas batendo tão forte, mas tão forte, que hoje me parece fatal. Skinner ficaria orgulhoso! Mas te confesso que é tão forte a vontade, ignorante e alienada, que ainda há coisas que eu me permito sentir qual adolescente. Por mais que o abismo pareça o próximo passo, por mais que o caos seja o desejo da próxima cena. Eu ainda me deixo esquecer os avisos de perigo. Me solto devagar nas benesses dos seus sucos gástricos, enquanto a acidez corrói – lenta  e impassível – todas as nossas afirmações de certeza.

Um sabor de vidro e corte...

Hoje escutei a música do Milton que você tirou no violão. Chorei. Pela música, por nós, por perder. Por saber que não podemos regredir os avanços da vida. Estou te deixando. Escolhi com angústia, mas também com muita fome. Estou te deixando. Mas não deixando pra trás a vida que guardamos, onde seu corpo era mais que escudo, era continuidade do meu. Estou deixando o tédio que corrompeu tudo que havia de bonito. O medo de ser fala. As noites frias de Maio. Estou deixando o espaço vazio que a sua presença transbordava. O gelo que se formava nas minhas cordilheiras. Estou indo embora de você, mas deixando a saudade ser minha companheira. Por que o fim é a parte fundamental do começo, no ciclo infinito, que por tolice, tantas vezes deixamos de acreditar.