O dia que acabou.
Sempre gostei dessa moça. Uma vez a vi falando de Nietzsche, e no meu ímpeto de 22 anos me interessei em lê-la. Mas não li. Hoje então, obra do acaso, me deparei com uma fala tão sensível e poética, que me revi nas mesmas condições. Naquele mesmo tempo, em que eu, nos meus vinte e poucos, sonhava em lê-la em outras circunstâncias. Era outono no Rio por Viviane Mosé* Às oito ele tocou a campainha e eu não imaginava o desfecho. Tudo parecia normal, cheio de idas e vindas, como sempre, mas com final feliz. Já estávamos juntos havia quatro anos e eu conhecia os movimentos que, em algumas horas, o levavam e o traziam de volta. Mas aquele dia foi diferente, ele estava triste, com um olhar vazado, quase nulo, e, por mais que eu tentasse trazê-lo de volta daquele fundo onde parecia ter se escondido, eu não conseguia. Passamos a noite conversando, encerrando aquela história que nos parecia interminável. Tentei fazer com que se lembrasse dos nossos momentos, dos nossos pac...