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Mostrando postagens de julho, 2011

Sobre ser margem e ser rio

"Como historiador, historiador de invenções, habitante desta terceira margem, sei que sou rio, pois sei que sou também natureza e grande parte do meu corpo é constituído por água. Mas também sorrio, pois a consciência irônica de meu tempo me faz praticar meu ofício como um lugar de desconstrução do rosto sério e sisudo das verdades definidas e estabelecidas. Sou rio, pois sei que meu saber é composto de muitos outros, sei que não sou a origem do meu saber, não sou o sujeito fundante da história que faço, sou fundado por uma sociedade, uma cultura, por formações discursivas, por práticas de poder e linguagem, sou um estuário em que vem desaguar muitos arquivos. Exerço um ofício conforme regras que não são apenas estabelecidas por mim, coerção de grupo, regras que se modificam com o tempo, mas sorrio porque sei que, apesar de tudo isso, eu participo ativamente das invenções que faço. Ao escrever história tenho atuado, agido, produzido fatos, eventos com repercussões sociais e cultu...